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domingo, janeiro 27, 2019

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Rádio pequeno antigo, vale a pena? (Cobra 21Plus)

Preservar coisas é manter viva a memória, e por conta disso, veículos estão sempre sendo restaurados, casas, fotos são retrabalhadas, anéis, cordões, chaveiros, e tudo aquilo que nos remete direta ou indiretamente à pessoas que amamos, ou mesmo por situações que foram muito agradáveis. Isto é, algo pode não remeter diretamente a uma pessoa, mas ao contexto de toda uma situação, como estar em companhia de amigos ou familiares, no plural, não necessariamente ligados a uma só pessoa. Fato é que pessoas são muito importantes, algumas nem sabe o quanto são, e  muitas das vezes, por força de escolhas da vida, perdemos contato com pessoas queridas que as vezes se vão para sempre, e o que nos resta é, infelizmente, tentar manter viva a memória de coisas que passamos e que são difíceis traduzir em palavras, mas que nos aproximam desse sentimento, estar de alguma forma com essa memória ainda viva. Como Santo Agostinho chamava, o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro. Ou seja, neste caso, estar no presente do passado, para que o presente seja suportável. As vezes algumas ausências são insuportáveis...

O rádio PX faz parte da nossa história, então é claro que vale a pena melhorar aquele rádio antigo, principalmente se ele tiver alguns recursos extras, vou explicar.
Fazem duas semanas que surgiu no meu laboratório um transceptor Cobra 21Plus, olhe a foto abaixo que rádio lindo:


Esse rádio foi comercializado em maio de 1986, pela Cobra Dynascan Corporation - USA, serial número 63011040 (Taiwan). Possui Chave de liga e desliga junto com o controle de volume, também possui Squelsh, que facilita a vida de quem não curte ruídos para contatos próximos, e possui uma vantagem extra, o Dynamike, que possibilita que o usuário possa controlar o nível do ganho de microfone. Original é do ponto máximo para zero, mas depois de melhorado, essa função ganha um poder maior.


Entenda esse Dynamike como a tal vantagem extra, porque a instalação de uma placa de pré-amplificador de áudio é possível em equipamentos desse tipo justamente por conta do controle de ganho de microfone, ao passo que em equipamentos sem o Dynamike, esse recurso não é possível.


Outro detalhe é a possibilidade de, tendo uma placa de pré instalada, poder escolher entre utilizar cápsula dinâmica ou eletreto, e se der algum excesso, controle no Dynamike. O que não pode é ruído por conta de má instalação. Áudio não é só entrada - amplificação - saída, têm que se preocupar com a filtragem, com os capacitores acoplando a situação. Lembre-se de trocar também os eletrolíticos da PCB (TODOS), pois o rendimento do transceptor vai aumentar, assim como o seu uso, e as peças originais tem mais de 30 anos... isto é, o capacitor eletrolítico já deu o que tinha que dar, e você retornando o equipamento ao uso constante... entendeu, não é? Tem que prevenir... 


Confesso que notei uma melhora de 30% no rendimento geral do transceptor, além da recepção ter melhorado substancialmente, então troque os eletrolíticos, não tenha medo, a diferença é perceptível.
Outro detalhe que notei diferença é na substituição dos diodos schottky, que deixaram mais suave a recepção do aparelho. Troque, é um pouquinho caro o diodo original, mas a diferença vale a pena.


No caso de transceptores sem controle de ganho de microfone, você pode solicitar todos os procedimentos de manutenção e melhoria acima, menos a instalação do pré. No lugar do pré, você pode utilizar um microfone amplificado. Aproveite a versão com eco, e instale em seu quarentinha apenas uma placa de beep, isso você pode fazer em qualquer rádio. Não extrapole com sons estranhos, utilize somente um beep semelhante ao VR9000, fica perfeito e não tem que instalar chaves extras para mudar o beep, furando o rádio. Neste caso, se for instalar uma placa de beep, o pino 4 do microfone que é para RX será inutilizado, a recepção vai ficar por conta da placa de beep, e dessa forma você pode aproveitar para instalar um pré de áudio no próprio microfone (PTT), porque com o pino 4 com o RX desativado/inutilizado no próprio rádio, você pode ligar uma tensão nesse pino 4 para alimentar o pré dentro do microfone (PTT). Aproveite essa relação de contingência, mas não se esqueça que uma vez feita essa modificação, é muito arriscado você utilizar um microfone que não seja aquele preparado para esse rádio.


Esse modelo em particular tem a banda muito estreita. Ele transmite em 10 KHz, mas recebe em 8 KHz, então se o rádio que está transmitindo para ele estiver um fio de cabelo fora de frequência, ele  ignora um pouco a transmissão do outro. Neste exemplar o ajuste de RX foi amplamente trabalhado junto ao monitor de serviços, de forma a estar com o off-set em cima, para não perder nada, nenhuma Estação, e foi instalado também uma placa extra com um beep curto, igual ao do VR9000.

Manutenção semelhante foi efetuada essa semana em um Midland bem pequeno, ele só tem mostrador de canais, e tanto a recepção quanto a transmissão ficaram excelentes.

Olha esse modelo com mais funções, que show:


Esse modelo da foto acima também faz aferição da estacionária, tem a função MOD para mostrar no bargraph de leds o nível de modulação, e tem RFGain - na minha opinião é o recurso mais importante que existe em um rádio somente com AM.
Infelizmente esse rádio da foto não é meu, senão estaria novo, assim como o Cobra 21Plus dessa postagem.


  • E rádios novos, por exemplo, o que fazer para melhorá-los?


A receita é semelhante, a diferença é que os capacitores eletrolíticos são novos e não é necessário substituí-los, mas é bom substituir a cápsula dinâmica pela cápsula de eletreto - se liga na impedância do eletreto, pois varia muito, e a impedância não tem nada a ver com o tempo de uso da cápsula, você precisa definir a impedância no ato da compra (farei um post em breve sobre isso). Vai precisar injetar tensão no pino de entrada do áudio e filtrar o retorno com um capacitor cerâmico.
Os diodos schottky de recepção também devem ser substituídos.
Entenda que esse UP nos diodos schottky é atípico nos rádios de menor porte, uma vez que, por ter custo elevado se comparado aos schottky comuns, eles não entram na receita do esquema de fábrica, por isso, substitua-os o quanto antes, pois a recepção ruidosa se transforma em nenhum ruído elétrico cansativo, e é plug and play. Tira um, coloca o outro e é como passe de mágica, o RX fica espetacular.           
                                                      

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TVi é um dos problemas mais sérios que o radio-operador pode sofrer. Pensando nisso, aqui vai algumas dicas seguras sobre como evitar este problema.

1º Cabo: Tem gente que acha que é só soldar o fio no conector e está tudo certo. Ledo engano!

Antes de soldar o conector, certifique-se que a malha esteja totalmente prateada, brilhando. Caso não esteja, substitua o cabo, ele está oxidado. "É normal a ação do tempo".

2º Conector: Verifique a qualidade do conector no ato da compra, e caso o conector esteja a anos sendo utilizado (ou guardado), passe uma lixa fina por dentro no local onde encaixa a malha. Não deve haver nenhum tipo de sujeira ou sinal de oxidação.

3º Conector fêmea do rádio: Utilize uma chave de estria tamanho 19 e aperte a porca. Mal contato é um problema sério. Verifique a solda interna após o reaperto.

4º Não utilize antena tipo 5/8 caseira entre prédios e condomínios que estejam em locais mais altos que sua estação à distâncias menores de 10 metros. Lembre-se que a antena 5/8 irradia em ângulo reto, e a antena de tv do vizinho pode ser aquele famoso "bombrill".

Escolha sempre antena 5/8 industrial. Se for caseira utilize 1/4 de onda, pois seu lóbulo de irradiação aponta a ionosfera, ao invés do horizonte, como no caso da 5/8.

5º Não abra o ALC do equipamento - limitadores de áudio. O ALC libera espúrios. Ao abrir potência do equipamento, mantenha intacto o ALC, ou solicite que seja feito por um técnico que tenha posse de instrumentação, como analisador de espectro, e "que saiba usar". Da mesma forma que fazemos em nosso laboratório. Isso é imprescindível! Abrir ou aumentar potência não tem nada a ver com liberar ALC. Isso é para incompetentes e palitadores. Se abrir a potência do equipamento, lembre-se de deixar o ALC atuando.

6º Estacionária: Nunca se esqueça que estacionária baixa não tem nada a ver com ressonância. A antena pode estar com roe ótima em determinado local, mas não estar ressonando corretamente. Desta forma, não adianta ter rádio potente se o restante da Estação está aquém.

7º Identificar o "plano terra": Plano terra não tem nada a ver com antena plano terra. Você deve saber onde é o plano terra de sua Estação, e o mesmo não tem nada a ver com o solo. Descobrindo o plano terra, a partir dele você saberá qual é a altura ideal para sua antena. Respeitando esta regra, além do rendimento otimizado de sua Estação, jamais correrá riscos de TVi. Dúvidas?

Consulte-nos.

→ Dica de Segurança

A vantagem do Rádio na estrada, além da possibilidade de fazer grandes amigos, é saber o que está acontecendo lá na frente. Um possível deslizamento, bloqueio de pista, uma possível blitz falsa, assaltos, áreas perigosas, carros suspeitos e acidentes. Na verdade, o operador da Faixa do Cidadão precisa de muita malícia, porque em todo lugar haverá maldade e oportunismo. Já houve caso de amigo que quase foi morto em emboscada armada através de convites feitos na própria faixa. Pessoas que se passaram por radio-operadores o chamaram para tomar um café e o conhecer, e o mesmo foi, sem maldade nenhuma, mas estavam na verdade de olho em sua carga de remédios, relata João, Estação Cachorro Louco (Juiz de Fora MG). Portanto amigos, é possível sim fazer do rádio um ambiente saudável e seguro, basta denunciar quaisquer irregularidades e ficar atentos a desvios de conduta. Aproveite e faça sua parte, seja cordial, e JAMAIS se misture com radio-operadores que desrespeitam a faixa utilizado linguajar de baixo calão. Em caso de problemas, procure um posto da Polícia Rodoviária Estadual/Federal e denuncie.

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